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Tecnologia é a chave do sucesso

Em bate-papo com o CWS, Yassuki Takano, diretor de consultoria da Logicalis, avalia como setores importantes da nossa economia estão se adaptando à transformação digital e por que, inevitavelmente, a sua empresa terá de adotar a digitalização para continuar viva no mercado

Vivemos na era digital. A maioria das nossas tarefas diárias envolve, impreterivelmente, a tecnologia. Seja para nos comunicar com alguém, consultar o extrato bancário, pedir um táxi ou uma comida.

Essa dependência foi relatada na 29ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP): o Brasil já tem 306 milhões de dispositivos portáteis em uso – além de smartphones, a estimativa inclui notebooks e tabletes.

Número que ultrapassa os atuais 208,5 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Se estamos mais conectados, sua marca também precisa fazer parte desse novo universo, independentemente do setor de atuação. Essa é a chave do sucesso nos negócios hoje. E amanhã.

+ Veja também: O risco de não se digitalizar

“A transformação digital permite o suporte da tecnologia a elos da cadeia de valor antes inexplorados, ganhando uma penetração crescente nos processos de negócios. A tecnologia estará cada vez mais vinculada intrinsecamente à estratégia de negócios das empresas”, afirma Yassuki Takano, diretor de consultoria da empresa Logicalis.

Em entrevista ao CWS, Takano fala sobre a importância da transformação digital e o risco de não aderir soluções hoje.


CWS: Atualmente, há um interesse maior no tema transformação digital?

Yassuki Takano: O mercado vem claramente demonstrando um interesse crescente no tema de transformação digital, como mostramos na pesquisa IoT Snapshot, que está em sua 3ª edição este ano. O nível de importância atual cresce de 27% em 2016 para 40% em 2018, se considerarmos as repostas de importância alta e muito alta. Quando perguntados para um horizonte de tempo de 3 a 5 anos, esses índices crescem para 62% (3 a 5 anos a partir de 2016) e 81% (3 a 5 anos a partir de 2018).

+ O mercado quer investir em empresas que estão se digitalizando

CWS: Muito se fala dos benefícios da tecnologia, mas, na prática, o que muda para as empresas que adotam soluções digitais?

Yassuki Takano: Enxergamos dois pilares fundamentais para a importância do tema: melhoria da eficiência operacional e experiência do cliente. No primeiro, a transformação digital – e suas soluções e tecnologias associadas, como IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas), cloud, big data, dentre outras -, permitem um nível extremamente avançado de automação de atividades e análises para tomar decisões, que ajudam atingir maiores níveis de eficiência; enquanto no segundo, utilizamos a definição ‘customer experience’, na qual a experiência do cliente em relação a uma empresa é a ponderação de sua vivência ao longo de todos os pontos de contato com a marca.

“A transformação digital é essencial para o customer experience porque, se queremos monitorar e agir sobre todo o ciclo comercial, precisamos de tecnologias e soluções que nos permitam ter esta cobertura – e isso requer sensores e análises que o IoT provê”, diz Takano.
CWS: A transformação digital, então, traz ganhos relevantes e essenciais às empresas…

Yassuki Takano: Podemos mencionar outros ganhos bastante importantes também, como suporte à tomada de decisão com base em um maior volume de informações sobre o mercado ou o ambiente operacional e em análises mais estruturadas dessas informações – o que o mercado tem chamado de analytics, big data e afins; barateamento ou virtualização da infraestrutura, possibilitando sensoriamento e análises em elos da cadeia de valor que eram desprovidos de tecnologia no âmbito de TI (desde pontos de venda no varejo ou mesmo centros cirúrgicos em hospitais); e uma maior disponibilidade das informações e desacoplamento dos serviços de TI em relação à infraestrutura – o cloud computing.

Yassuki Takano, diretor de consultoria da empresa Logicalis. Foto: divulgação

Yassuki Takano, diretor de consultoria da empresa Logicalis. Foto: divulgação


CWS: Setores como o de transporte, construção civil, automotivo e agrícola já deram o primeiro passo rumo à digitalização. Como o sr. enxerga esses mercados no médio prazo?

Yassuki Takano: Esses setores, de maneira conjunta, já podem se beneficiar em soluções ou funcionalidades comuns que têm sido desenvolvidas recentemente, como localização, monitoramento e gestão de ativos, peças, profissionais da cadeia produtiva usando soluções de mobilidade e sensoriamento – que permite maior eficiência, menos perdas nos processos produtivos e mais segurança dos profissionais; roteirização de veículos e frotas, que garante melhor gestão dos insumos, redução de lead-time do processo de produção e entrega, além de reduzir o consumo (ou mesmo emissão de poluentes); e tomada de decisão para consumo de insumos ou mesmo de produção dos itens, com base em uma melhor coleta de informações e análise.

CWS: Algum deles, em sua opinião, terá mais destaque tratando-se de transformação digital?

Yassuki Takano: Os setores que já eram suportados por tecnologias de automação industrial se beneficiam de maneira mais incremental, com integração de dados entre diferentes fornecedores de automação ou cobertura de alguns processos ou elos de cadeia não monitorados. Outros setores originalmente pouco suportados por TI terão ganhos maiores, como, por exemplo, o agrícola. Por outro lado, para eles, o desafio de sair da inércia e adotar essas novas soluções pode ser maior.

+ Leia mais: As 10 piores decisões na jornada digital

CWS: Não adotar a transformação digital agora é assumir o risco de ficar fora do mercado depois?

Yassuki Takano: Perguntamos a alguns executivos o motivo de considerarem que IoT não é uma pauta importante. Respostas como “mercado pouco preparado”, “soluções não padronizadas” ou “poucos casos comprovados” foram alguns dos comentários que ouvimos. Vamos supor que uma empresa espere três anos para começar a investir em projetos de transformação digital. O que temos observado nos cases bem-sucedidos atualmente é que os executivos de outras áreas investem meses ou alguns anos para se alinhar e ganhar tração para iniciar os primeiros projetos. Se o executivo esperar os três anos para começar, e levar mais dois ou três anos para conseguir criar um ambiente propício para desenvolver seus projetos, já terão se passado cinco anos. Como vimos, nesse período o mercado se transforma completamente em termos de tecnologias. Talvez esta empresa não tenha mais espaço quando acordar.

Sua empresa ainda vai continuar dormindo?

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