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Retrô, mas moderninho

Já imaginou um Chevrolet 1934 com motor V8, inteirinho customizado? Conheça a Sigma Sport Car, uma micromontadora de Santo André que tem conquistado mercado fora do Brasil com a ajuda da internet

O ABC paulista é conhecido por ser reduto de gigantes do setor automotivo. Entre as montadora que ali estão presentes, Ford, General Motors e Volkswagen aceleram a economia da região.

No entanto, uma micromontadora que produz carros de maneira artesanal tem atraído a atenção dos entusiastas dos chamados hot rods – réplicas de carros antigos com alta performance.

A Sigma Sport Car, empresa dos irmãos Luiz e Ricardo Rodrigues da Silva, nasceu de um bate-papo informal entre eles em 2007. Luiz é engenheiro mecânico; enquanto Ricardo, projetista e ex-piloto de corrida.

Mas foram os hobbies de Ricardo que falaram mais alto: colecionador de carros antigos e restaurador, ele sempre quis montar seu próprio carro. Pelo menos, entusiasmo e espaço para o projeto não faltavam. “Vendi os doze carros que tinha na época para iniciar o meu sonho. Sempre preferi deixar meu dinheiro nos automóveis do que no banco”, relembra Ricardo.

Donos de uma empresa de manutenção e automação mecânica, que operou por mais de três décadas, a ociosidade dos equipamentos fez com que o galpão, de 2800 m², fosse o cenário perfeito para a montagem dos carros. “Quando falei para a família que iria fazer um carro, todos ficaram com aquela cara de interrogação. Mas depois que ele ficou pronto, eles aplaudiram e apoiaram. Viram que meu sonho tinha sentido”.

Repercussão dentro e fora do País

O Sigma não fez sucesso apenas com a família dos irmãos Silva. Ele ganhou repercussão nacional e internacional. Em 2011, ganhou holofotes no Sema Show, maior evento mundial de carros tunados e customizados, que ocorre anualmente em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Os irmãos, que foram convidados de última hora, tiveram de montar um carro do zero em tempo recorde: dois meses e meio. O prazo convencional para um Sigma “sair do forno” fica em torno de oito meses. Para isso, a equipe de nove pessoas ganhou reforço de mais 20 funcionários. 

E valeu a pena. A criação brasileira ficou exposta no lobby principal, recepcionado os visitantes. “Depois dessa feira, exportamos um Sigma para os Estados Unidos, que foi homologado”, afirma ele, que só agora, em 2018, tem projetos concretos para enviar mais unidades para aquele país.

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“Recebemos diariamente cotações e e-mails de pessoas interessadas, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Atualmente, estamos trabalhando em um veículo que será mandado em até dois meses para os EUA”, afirma. “Temos investidores e pretendemos fortalecer cada vez mais nosso nome”.

Luiz Rodrigues da Silva, um dos sócios da Sigma. Foto: Willian Andrade


Até hoje, 14 modelos foram produzidos pela Sigma – 13 deles estão no Brasil, concentrados, principalmente, no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Para acelerar nas ruas brasileiras, os carros foram licenciados como protótipo. O preço para ter um desse na garagem? “A partir de R$ 286 mil é possível produzir um Sigma”, avisa Luiz, que já chegou a entregar um modelo de quase R$ 400 mil. “O céu é o limite”.

Potência nas pistas 

Mas não se engane: seu visual, inspirado no Chevrolet 1934, esconde uma supermáquina. Com dois lugares, chassi próprio, carroceria de fibra e motor V8, sua potência já foi comparada a de um Audi TT por uma revista especializada. Não à toa: ele faz de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos. Como comparação, a terceira geração do Audi TT faz em 5,9 segundos.

“Geralmente, quem compra um Sigma é empresário na casa dos 40 anos, que vai usá-lo para passeio no fim de semana. Mas um cliente já comprou para correr nas pistas”, revela Ricardo. “Ele é tão potente quanto um esportivo importado com a vantagem de ser mais admirado na rua, por ser um fora de série, e menos visado”.

+ Tempo é dinheiro

De acordo com a consultoria Euromonitor, o segmento de carros de luxo no Brasil – a partir de R$ 150 mil, pela definição da Euromonitor International – movimentou R$ 11 bilhões em 2017, uma queda de 15% em relação ao ano anterior.

No entanto, os próximos anos prometem ser mais aquecidos. A consultoria prevê crescimento de 6% ao ano em volume de vendas até 2022. Além da recuperação da economia, a possibilidade de personalização do veículo tem entusiasmado os compradores de carros de luxo.

“Não temos a pretensão de sermos uma montadora grande, pois o nosso diferencial está na produção artesanal. Temos, sim, a ideia de deixarmos a marca mais conhecida no mercado internacional”, diz Ricardo. “Infelizmente, o brasileiro só dá valor para a produção nacional quando começa a fazer sucesso fora do País”, lamenta.

Ricardo Rodrigues da Silva, da Sigma. Foto: Adriano Stofaleti


Evoluindo a cada projeto, graças aos estudos constantes, a empresa se orgulha da pouca manutenção de seus carros. “As pessoas compram fidelidade na Sigma. Sempre que precisam, eu faço a manutenção aqui, mas nada impede de ser feita em outra oficina”, garante.

Cada modelo pesa 1234 kg, distribuídos 51% na dianteira e os outros 49% na traseira. “O Sigma, raramente, precisa de manutenção. Ele é quase um trator: tubulação rígida, buchas de PU. Só precisa de reparação quando tem algum problema no motor ou câmbio. Mas é muito difícil. De uma forma geral, é um automóvel extremamente forte e resistente”.

A internet é a solução

Para produzir os carros Sigma, a internet foi fundamental. Quando, inevitavelmente, surgia uma dúvida, a rede era consultada instantaneamente. Para peças, então, nem se fale. “Sem a internet, não teria conseguido montar carro nenhum”, diz Ricardo. Hoje, quando ele não consegue produzir ou encontrar uma peça, as compras são feitas virtualmente, muitas vezes através do Canal da Peça.  

“Uso muito o Canal da Peça para pesquisa e compra. É excelente para nós. Não adianta ir no balcão procurar, pois certamente não terá o mesmo nível de dados”, opina Ricardo Rodrigues da Silva.

Para ele, além das informações mais detalhadas, a economia de tempo é um dos pontos altos da rede. “O tempo é precioso. Eu não saio daqui para perder horas na rua. Prefiro consultar o que eu preciso no computador. Em um clique, resolvo tudo”.

A rede também tem sido o principal meio de divulgação da Sigma, que mantém um site, página no Facebook, conta no Instagram e vídeos no YouTube. É através da internet também que eles fazem outros negócios.

 Veja como é fácil ter sua própria loja virtual

“Depois da produção de carros, somos fortes em pinças de freio. Estudamos muito esse produto antes de produzi-lo. Conseguimos instalar em qualquer veículo”, diz. “Por ser um item de alta performance, pensamos em abrir uma loja virtual para sua comercialização. A internet também irá nos ajudar nesse caminho”.

O futuro dos hot rods

De acordo com Ricardo, a qualidade das pequenas montadoras aumentou muito no Brasil nos últimos anos. No entanto, a falta de mão de obra especializada ainda é um entrave para este mercado.

“A mão de obra é muito fraca, é tudo muito complicado por aqui. O Brasil está bem atrasado em relação a outros mercados”, opina.  “Mas acredito que, em alguns anos, nossa mão de obra ficará melhor, mais especializada e, assim, poderemos ser referência”, diz, otimista.

+ Confira também: Vendas mais aceleradas 

Já o objetivo da Sigma para os próximos anos é colocar o pé no acelerador e conquistar novos mercados. Sem esquecer, é claro, a essência da empresa. “Queremos, em primeiro lugar, levar alegria para quem compra nossos veículos. Essa sempre será a nossa base”, finaliza.

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