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O ouro do século 21

Na corrida por mais produtividade e inovação, empresas que investem em tecnologia saem na frente daquelas que deixam o tema para depois. A transformação digital tem ajudado companhias a garimparem o que realmente importa para seus negócios: os consumidores

Quando fora encontrado ouro em Sutter’s Mill, na Califórnia (EUA), entre os anos 1848 e 1855, milhares de americanos saíram de suas cidades em busca de riqueza. A notícia se espalhou logo e o país foi invadido por pessoas de todas as partes do mundo, que, assim como os donos do território, almejavam prosperidade e sucesso.


Hoje, 163 anos depois, os cavalos que serviam de transporte para as terras valiosas deram lugar à tecnologia: a transformação digital é a ferramenta da vez para chegar ao ouro. Pelo menos, no mundo empresarial, onde destacam-se companhias que pensam fora da caixa e que fazem mais que seus concorrentes – sobretudo, que se arriscam e não têm medo de inovar. O pioneirismo é a palavra-chave deste século.

Assim como na corrida do ouro, em que os primeiros que chegavam angariavam mais metais preciosos, a corrida pela digitalização garante às empresas visionárias uma fatia muito maior do mercado em que atuam. O ouro de ontem é a transformação digital de hoje.


As marcas que percebem isso rapidamente têm uma grande vantagem em relação àquelas que resistem à tecnologia. Nosso papel vai além de oferecer soluções digitais: queremos conscientizar empresários da importância do tema atualmente e como poderá influenciar no futuro de sua companhia, seja qual for sua área de atuação”, diz Vinícius Dias, CEO do CWS, divisão corporativa do grupo Canal da Peça.

Cases de sucesso

No varejo, há inúmeras histórias inspiradoras de marcas que enxergaram antes a ‘mina de ouro’. Fora do País, a Amazon intensificou seus investimentos em tecnologia.

Entre 2010 e 2018, seu valor de mercado cresceu mais de 1300%. Hoje, a empresa está avaliada em US$ 1 trilhão, tornando-se a segunda companhia americana a atingir essa cifra. Em agosto deste ano, semanas antes dessa divulgação, a Apple havia alcançado o mesmo patamar.

No Brasil, um dos casos mais relevantes é a Magazine Luiza, famosa pela venda de eletrodomésticos em pontos físicos. Mas ela foi além do balcão e apostou no e-commerce. Entre 2011 e 2018, seu valor de mercado subiu 400%, chegando a R$ 23 bilhões.

+ Leia também: A transformação é para já

Para Rodrigo Bandeira, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o modelo de negócio adotado por essas companhias vai se fortalecer ainda mais no País. “Os canais de marketplace têm se destacado muito no Brasil e para algumas lojas chegam a representar 60% do volume de vendas. A conveniência oferecida aos empresários através da grande circulação de potenciais consumidores, ambiente financeiro mais seguro e facilidade em sistemas são alguns desses diferenciais”, afirma.

Bandeira acredita que a integração dos ambientes físicos e digitais tem de ser imediata. “A internet vem crescendo e continua com uma boa perspectiva. Praticidade, comodidade e preço têm sido os grandes atrativos. As lojas físicas vão continuar existindo, mas vão precisar conviver com um canal seguro, aberto 24 horas, 7 dias por semana e com alcance nacional ou mesmo mundial de vendas”, diz.

Mais investimentos

A indústria está mais digitalizada do que nunca. É o que mostra o estudo “Investimentos em Indústria 4.0”, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Entre 2016 e 2018, o percentual das companhias que já usam ferramentas tecnológicas passou de 63% para 73%. Até o final deste ano, quase metade (48%) do setor industrial pretende investir em ações digitais.
A pesquisa aponta a produtividade como propulsora para essa transformação, já que as grandes empresas priorizam iniciativas inovadoras para aumentar a eficiência do processo de produção e melhorar a gestão de seus negócios.

+ O ano da digitalização

No mercado de aftermarket, empresas como Bosch, Delphi e Gauss digitalizaram seus catálogos e ampliaram seus canais de venda e de relacionamento com o cliente. Os processos, além de conferirem mais agilidade, atendem o novo consumidor, que está mais conectado.

Cláudio Doerzbacher, CEO da Gauss. Foto: divulgação


Cláudio Doerzbacher, CEO da Gauss, resume bem o motivo que tem levado as indústrias para a era digital. “A tecnologia está conectando todo mundo. As pessoas não vivem mais longe dela: seja para informação, comunicação ou compra”, afirma. “É impossível não estarmos no mesmo ambiente”, diz.

A inovação também tem sido peça fundamental para a Delphi no Brasil. A companhia ganhou mais eficiência desde que implementou ações digitais. “As ferramentas nos oferecem informações valiosas por meio das buscas e compras realizadas. Sabemos quais são as peças mais procuradas e aprendemos sempre mais sobre o perfil do consumidor”, afirma Arnaldo Leonardo, diretor comercial da Delphi para a América do Sul.

+ Veja mais: Delphi acelera na internet

Segundo ele, o tema tem que ser tratado com mais atenção pelo setor. “Atender os clientes da forma mais adequada à realidade deles tem que ser a prioridade da fábrica, do distribuidor e também do varejo”, justifica. “Usar as informação obtidas com a ajuda da tecnologia pode ser a chave para o sucesso”, conclui. E para a mina de ouro.

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