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Novos tempos, novas soluções

Desde 1986 na mecânica, Roberto Ghelardini Montibeller, da oficina High Tech, tem se surpreendido com as possibilidades da tecnologia em sua rotina. A internet tem sido fundamental para o profissional pesquisar conteúdo e peças e, assim, não perder clientes

Entre um reparo e outro, o mecânico Roberto Ghelardini Montibeller, da oficina High Tech, em São Paulo, corre para o seu escritório para usar a internet. “Nos dias de hoje, é impossível ficarmos sem ela”, vai logo se explicando.

A explicação, no entanto, se torna desnecessária ao revelar o motivo que o fez apelar para o computador. “Preciso consultar informações de uma peça e, atualmente, prefiro a internet aos catálogos impressos”.

Uma das grandes transformações promovidas pela tecnologia foi a digitalização dos portfólios de companhias de autopeças. Empresas como SKF, Bosch, Delphi e MTE-Thomson já disponibilizam meios de consulta eletrônicos.

+ O poder do catálogo impresso

“Catálogo impresso ocupa muito espaço e, ainda, não é tão atualizado como um digital. Agora, através do celular ou do computador, conseguimos pesquisar dados técnicos de um item. Fácil, fácil”, comemora.

Vídeos e conteúdos na rede

Montibeller faz parte de uma nova geração de mecânicos: a que prefere usar a tecnologia em vez dos meios convencionais. “Nós utilizamos muito a rede até como forma de nos atualizarmos. Blogs, grupos de mecânica e vídeos no YouTube têm sido fundamentais para solucionar problemas”, garante.

No País, o sucesso do Youtube foi revelado no relatório YouTube Insights. Cerca de 95% da população brasileira acessa o site, pelo menos, uma vez por mês.

Os mecânicos têm grande representatividade nos acessos. Desde 2015, o volume de buscas do setor automotivo dobrou na plataforma. Em média, 20 milhões de pesquisas por conteúdos relacionados à autopeças são feitas mensalmente.

“De fato, eles são muito úteis para nós, mas não dispensamos cursos presenciais. Há também alguns nas próprias fábricas, no entanto, são muito superficiais”, afirma.

“Certamente, se pudéssemos comprar cursos pela internet, faríamos, pois conseguiríamos assistí-los nos horários livres e, ainda, poderíamos revê-los”.

Para o mecânico, por conta da quantidade de lançamentos de veículos é fundamental o profissional ter acesso a novas informações. Nessas horas, quando não há conteúdo, o apoio do setor é essencial.

“Trocamos informações com o Brasil inteiro através de grupos de WhatsApp. Para nós, é ótimo, pois conseguimos sanar muitas dúvidas”, diz.

 Saiba como usar o WhatsApp no seu negócio!

Um dos funcionários da oficina, Eduardo Santos, também vê a rede com bons olhos. “A internet nos ajuda muito quando temos uma dúvida. Conseguimos muitas informações que, antes, seriam muito mais difíceis”, diz.

Dia a dia mais conectado

Além de pesquisa de peças e de conteúdo técnico, a web tem sido utilizada como forma de divulgar a oficina nas redes sociais. No entanto, outros meios digitais têm dado mais resultado.

“Já agendamos alguns serviços básicos, como troca de óleo ou revisão, pelo nosso site e WhatsApp. Muito mais prático”, afirma. E falando no aplicativo de mensagens instantâneas, Montibeller tem feito bom uso dele.

Roberto Ghelardini Montibeller, da oficina High Tech. Foto: Adriano Stofaleti


“Os clientes preferem falar com a gente através do WhatsApp. Utilizamos também para lançar campanhas, além de mandarmos dicas”, complementa.

Compras online sim, por que não?

A tecnologia também tem dado uma forcinha para o mecânico quando ele não encontra uma peça em um ponto físico. “Quando não acho o produto nos distribuidores que já faço as compras, não penso duas vezes e pesquiso na web”.

Quase todos os dias, o Canal da Peça é utilizado por ele. “Com o código da peça ficou muito mais fácil. Sempre faço cotações na plataforma, que se destaca por ter sido elaborada especificamente para o setor”, afirma.

O Canal da Peça tem ajudado mecânicos e consumidores finais a encontrarem, mais facilmente, uma peça. Já os varejistas têm a oportunidade de ganharem uma renda extra no fim do mês. Os estoques de mais de 500 lojistas estão conectados, promovendo uma grande – e completa – vitrine virtual.

Todas as peças podem ser procuradas através do código, mas, caso o usuário não tenha, a busca pode ser feita pelo modelo do carro, fabricante ou categoria.
 
“Nunca tive problemas com as compras pela internet e acredito que, no futuro, as lojas de autopeças vão se transformar nos bancos de hoje: atendimento menos presencial e muito mais pelos canais digitais”, opina Roberto Ghelardini Montibeller.

De acordo com ele, a única objeção da internet é que o consumidor final também tem comprado mais peças. “Isso pode gerar alguns problemas, como compra errada, de má qualidade ou sem procedência. Por isso a importância de fazer a compra em um site seguro. Além disso, tira a nossa margem de lucro. É a mesma coisa que ir em uma churrascaria e levar a carne”.

Tecnologia online e offline

Mesmo quando a compra é feita em loja física, antes de ir pessoalmente, o mecânico faz questão de usar a tecnologia para saber se a viagem valerá a pena. “Costumo mandar a foto da peça via WhatsApp antes. A tecnologia tem ajudado até nas compras físicas”, afirma.

Na internet, sempre que possível, o profissional opta pela entrega por motoqueiro, mas, quando a loja fica em outra cidade, o produto vem pelos Correios. “Normalmente, as peças vêm rápido, em poucos dias”, elogia.

O mecânico aprova as compras pela internet. Foto: Adriano Stofaleti


Já quando o assunto é atendimento, para ele, a internet sai na frente. “Nem sempre o balcão tem as informações que precisamos, ao passo que na rede, sim. Quem vende pela web, geralmente, tem mais dados até pela vantagem de poder vender com mais precisão”, afirma. “Mas, em comparação a alguns anos atrás, os atendentes de balcão estão mais bem informados”.

Pagamento mais facilitado

Cliente do varejo tradicional e de distribuidores, o profissional acredita que seu estoque, composto por poucas peças, seria maior caso tivesse crédito nessas redes.

“A maioria não oferece nada diferenciado por ser mecânico. O que eu tenho, hoje, é um crédito comum: compro e pago daqui a 30 dias. Se eu tivesse algo melhor, certamente, teria mais peças no estoque”, afirma.

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“Infelizmente, temos que quebrar a cadeia muitas vezes. A mesma peça no varejo pode custar até três vezes mais do que em um distribuidor. Nós também precisamos ter nosso lucro”, diz.

Para atrair mais clientes, a High Tech oferece, agora, parcelamento em até 12 vezes. “Já chegamos a atender 200 carros por mês. Hoje, são 70, em média, por conta da crise. As pessoas têm deixado para arrumar o veículo só quando não liga mais”, lamenta.

De pai para filho

A história do Roberto na mecânica começou em 1986, quando desistiu da carreira militar. “Sai do quartel, pois não era o que eu queria. Meu pai me questionou o que eu iria fazer da vida. Como sempre o acompanhei na oficina, quis seguir os mesmos passos”, relembra ele, filho de seu Antônio, dono do Centro Automotivo Vera Lúcia, onde aos 80 anos ainda coloca a mão na massa.

“Eu sempre o ajudei a limpar peças, então, a escolha foi pela vivência na área. No início, meus pais não apoiavam muito, pois não é uma profissão tão reconhecida, mas viram que fiz a coisa certa. Em 2006, abri minha própria oficina”.

Pai de um menino de onze anos, Montibeller diz que o apoiaria caso quisesse dar continuidade nos negócios da família. “Com certeza, daria a maior força, mas o alertaria que hoje em dia não é fácil ser mecânico”, diz.

+ A peça que faltava 

“O cliente quer tudo a um preço muito abaixo da tabela, mas não podemos trabalhar de graça. No entanto, a parte boa é fazer o que gostamos. Quando não me sujo de graxa, tenho a impressão de que não trabalhei”.

Sem medo da tecnologia

Roberto, que planeja atuar na mecânica por muitos anos, assim como seu pai, prevê que a internet ainda irá ajudar muito sua rotina de trabalho. “Desde que comecei, muitas coisas mudaram. E para melhor. Acredito que o atendimento ao cliente será muito mais beneficiado. Mais ferramentas vão surgir e, através delas, mais praticidade e rapidez”, comenta.

Segundo o profissional, a tecnologia tem tudo para balançar o mercado. Até, quem sabe, tomar o emprego dos mecânicos. “Acho que, em 30 anos talvez, os robôs farão nosso trabalho. A área terá de ser remodelada. Mas tudo evolui, só temos que nos adaptar”, afirma. “Seguimos em uma estrada sem volta”, conclui. O setor, como um todo, já está na mesma rota.

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