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Mercado cada vez mais aquecido

A empresa de pagamento eletrônico Moip, um dos principais termômetros do mercado digital, confirma: o comércio online caiu, de vez, no gosto dos brasileiros. Saiba o que pensa o CEO da companhia, Igor Senra, sobre o futuro do varejo de peças na internet

O ato de comprar pela internet nunca esteve tão presente na vida dos brasileiros. Além da comodidade e o poder de comparação de preço, o consumidor tem confiado mais no comércio eletrônico graças às soluções mais eficientes – e seguras – de pagamento.

Referência nesse assunto, a empresa brasileira Moip sentiu, ao longo dos onze anos que está em operação, a evolução no modo de compra dos usuários digitais. A internet, aos poucos, vem tomando o lugar dos grandes centros de compra.

“A primeira transação de pagamentos que processamos foi em 2007. De lá para cá, acompanho o e-commerce muito de perto e o crescimento é incrível. Os brasileiros estão comprando mais e isso só tende a crescer”, afirma Igor Senra, CEO do Moip. “Sem sombra de dúvida, é um caminho irreversível no varejo”, diz.

A forte atuação da empresa no cenário brasileiro chamou a atenção da alemã Wirecard, uma das principais em tecnologia financeira do mundo. Em 2016, o Moip foi comprado por ela por R$ 165 milhões.

A nova dona trouxe mais fôlego para a companhia, que cresceu 50% no ano passado, chegando a marca de mais de 500 mil clientes ativos no portfólio. “Conseguimos juntar nossas experiências locais e globais em pagamentos digitais. Estamos abertos para analisar possíveis aquisições no Brasil e na América Latina”, afirma.

+ Combustível para o varejo de autopeças

“Vamos tentar ajudar quem vende usando o Moip em outras frentes, não apenas com o recebimento de pagamentos, mas também na utilização do recurso que vem dessas transações para pagar contas, mandar transferências e também na gestão de negócios”, adianta.

Setor de autopeças mais ativo na rede

De acordo com a 2ª edição do Estudo do Setor de Autopeças, realizada pelo Google, o mercado online nesse segmento vem crescendo ao ritmo de 40% ano, enquanto o varejo total apenas 25% no mesmo período.

Para Senra, que desenvolve soluções de pagamento para o Canal da Peça, a simplicidade e a certeza de estar adquirindo o item correto têm acelerado o setor na rede.

Igor Senra, do Moip. Foto: divulgação


“É mais fácil procurar uma peça específica na internet do que ir de loja em loja. Imagina se for uma lista para um reparo do meu carro? Se um dos itens não está disponível, eu fico sem o conserto e, consequentemente, sem o carro. O Canal da Peça é o melhor lugar para isso”, opina.

Leia a entrevista com Igor Senra:

Canal da Peça: O brasileiro tem comprado mais online?

Igor Senra: Sim. O crescimento do consumidor na rede é incrível. Nem poderia ser diferente, já que a internet traz muita comodidade para o comprador e permite que ele pesquise e compare tudo em poucos cliques.

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Canal da Peça: Qual modelo de negócio tem tido mais destaque no cenário virtual?

Igor Senra: O nosso produto de maior crescimento é o Moip para Marketplaces, uma solução que ajuda quem opera um marketplace no dia a dia. Com ela, o pagamento já é dividido automaticamente na origem. Temos clientes com esse produto em diversos setores, como cosméticos, livros e, inclusive, o segmento de peças automotivas.

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Canal da Peça: Acredita que o marketplace é o grande propulsor do e-commerce brasileiro?

Igor Senra: Eu acho que o modelo de marketplace é democrático. Para muitos é a porta de entrada para vender online e para vários outros é a única forma. Congrega quem quer comprar com quem quer vender, sendo ele lojista, vendedor, distribuidor, atacadista ou fabricante. Todos podem ter seu espaço. A grande tendência é de no futuro termos, pelo menos, um grande marketplace horizontal com diversos segmentos e produtos, e diversos verticais atacando nichos específicos, como livros usados, produtos artesanais customizados e até mesmo autopeças. Marketplace é um modelo de negócio que se autoalimenta. Quanto mais lojistas, mais vendedores e quanto mais vendedores, mais lojistas. Um ciclo positivo muito forte e difícil de parar.

Canal da Peça: O e-commerce sofreu com a crise? 2018 promete ser o ano da recuperação?

Igor Senra: Infelizmente, o Brasil inteiro sofreu. O que acontece é que o e-commerce, felizmente, sofreu menos. Vinha crescendo sempre mais de 20% ao ano e, com a crise, desceu para 7,5%. Ainda é muito bom se comparado com o Brasil todo, mas muito pouco perto do crescimento nos anos anteriores. Acredito que 2018 tende a ser um ano melhor, que começou com as empresas desengavetando projetos e olhando com mais otimismo para o futuro. Essa mudança de humor, no meu ponto de vista, tende a impactar positivamente o crescimento do mercado como um todo.

Canal da Peça: Qual é a expectativa de crescimento do Moip este ano?

Igor Senra: Não posso abrir os números, o que posso dizer é que no ano passado crescemos mais de 50% e esse ano vamos crescer ainda mais.

O escritório do Moip, em São Paulo. Foto: divulgação


Canal da Peça: As transações com cartões cresceram nos últimos anos?

Igor Senra: Sim, em 2016 as transações com cartão superaram a marca de R$ 1 trilhão (R$ 674 bilhões no crédito e R$ 430 bilhões no débito). Só a título de comparação, em 2008 os cartões movimentaram R$ 327 bilhões (R$ 220 bilhões no crédito e R$ 107 bilhões no débito).

Canal da Peça: O brasileiro prefere pagar com cartão ou boleto?

Igor Senra: Isso depende. Quando estamos falando de pagamento de B2C (Business to Consumer), o cartão é de longe o meio de pagamento com maior relevância (75% de representatividade, enquanto boleto, 23%), mas quando estamos falando de B2B (Business to Business), o boleto ainda tem uma força muito grande.

Canal da Peça: Como avalia o crescimento das fintechs no Brasil? E das moedas digitais?

Igor Senra: As fintechs são um fenômeno global, mas aqui no Brasil elas encontraram um ambiente muito propício para crescer. O mercado bancário aqui é muito concentrado, o que deixa espaço para empresas mais leves e ágeis competirem fortemente. As moedas digitais são um fenômeno interessante. Tem todo um hype em torno delas, mas ainda existe muita incerteza também. Uma coisa já é certa: não estão sendo muito utilizadas para pagamentos, o que era uma das apostas iniciais. Estão mais inclinadas a serem usadas como reserva de valor, como o ouro, por exemplo. Mesmo que você tenha comprado ouro, não vai comprar um carro levando uma barra de ouro.

Canal da Peça: Como analisa o caminho percorrido pelo Moip até agora?

Igor Senra: O Moip foi fundado numa época em que nem se falava do termo “fintech”, mas nasceu fintech e assim se desenvolveu. Vimos a oportunidade de simplificar a vida de quem recebe pagamentos online, centralizando toda a demanda de diversos meios de pagamento, gateway, gestão de risco e conciliação financeira. Tudo isso com somente um contrato e uma integração. De lá para cá, outras complexidades apareceram, como a do próprio marketplace, e estendendo essa nossa visão de simplificar a vida financeira dos nossos clientes, criamos um produto para esse nicho específico. Nosso compromisso é o de seguirmos firmes nesse caminho, sempre buscando formas de facilitar a vida financeira dos nossos clientes, os empreendedores, porque entendemos que ainda existem vários desafios pela frente.

Canal da Peça: A transformação digital está acontecendo, de fato, no Brasil?

Igor Senra: Não tenho dúvida que está acontecendo. Estamos atrás de vários países, incluindo-se aí alguns dos países em desenvolvimento, mas sem sombra de dúvida essa é uma tendência muito forte. Só de ver a penetração de smartphones, o crescimento das vendas online, bem como das vendas via mobile, percebe-se que esse é um caminho irreversível.

Canal da Peça: O setor de autopeças está, aos poucos, perdendo o medo de comprar online. O que espera do setor daqui a cinco anos?

Igor Senra: O interessante é que outros segmentos já se atiraram nesse mercado e superaram esse medo de forma definitiva. Tenho certeza que para o setor de autopeças será igual. Imagina comprar roupa pela internet? Quanta resistência pode-se ter? Será que a cor mostrada é exatamente igual a cor do produto que vai chegar? E tamanho? Como ter certeza de qual é o seu tamanho naquela confecção? Pois é, o segmento de moda foi o que mais cresceu nos últimos anos a ponto de se tornar o maior de toda internet. Autopeças é mais simples, você tem a especificação. A peça do catálogo é a peça do catálogo. Só resta saber se você quer a peça original ou a “genérica”, mas você tem as informações necessárias para tomar a sua decisão. E mais: é mais fácil procurar uma peça específica na internet do que ir de loja em loja procurando. Imagina se for uma lista para um reparo do meu carro? Se um dos itens não está disponível, eu fico sem o conserto e, consequentemente, sem o carro. Com certeza, a internet pode ajudar e o Canal da Peça é o melhor lugar para isso.

Canal da Peça: Acredita que os mecânicos vão comprar mais pela rede?

Igor Senra: Sabendo que na internet eles poderão achar o que precisam, é uma questão de tempo os mecânicos comprarem mais online. Acredito que os consumidores finais podem reforçar essa mudança, porque, em via de regra, eles já fazem outras compras online, então comprar autopeças é uma complementação natural do que eles fazem.

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Canal da Peça: A nossa plataforma utiliza o Moip desde o início da operação, em 2013. O que acha da nossa proposta para o setor de autopeças?

Igor Senra: Desde o início, quando conheci o Vinícius (Dias, CEO) e o Fernando (Cymrot, CFO), entendi que o negócio tinha potencial. Juntaram um grupo de pessoas incríveis com investidores experientes, que têm histórico de realizações de coisas grandes e importantes. O resultado não poderia ser outro. Não é por acaso o crescimento do Canal da Peça e tudo o que eles vêm realizando até agora, mas dado o potencial da empresa e do mercado, tenho certeza que ainda tem muito caminho pela frente.

Canal da Peça: E para onde o Moip caminha?

Igor Senra: Estamos abertos para analisar possíveis aquisições aqui no Brasil e na América Latina, além de continuarmos com nosso foco em produtos. Queremos estender nossa atuação e vamos tentar ajudar quem vende usando o Moip em outras frentes, não só mais com o recebimento de pagamentos, mas também na utilização do recurso que vem dessas transações para pagar contas, mandar transferências e também na gestão de negócios. Acreditamos que essa é a nossa forma de ajudar a fazer dos empreendedores o motor de prosperidade da nossa sociedade.

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