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A internet será cada vez mais crucial para a decisão de compra

Rafael Campion, cientista de dados do Google, analisa o comércio eletrônico de autopeças e prevê crescimento do setor na rede

A procura pela categoria de autopeças vem crescendo a um ritmo de 40% ao ano, enquanto o varejo total apenas 25% no mesmo período. Essa surpreendente constatação foi feita na 2ª edição do Estudo do Setor de Autopeças.

Realizada pelo Google, a pesquisa promove o cruzamento de dados do setor com insights sobre o comportamento dos brasileiros nas buscas feitas pela internet.

O estudo também identificou que a maioria das buscas tem origem na região Sudeste, sendo seguida pelo Sul e Centro-Oeste, e que as peças são adquiridas por pessoas da classe A e B, com idade entre 25 e 54 anos e predominantemente homens. As mulheres representam 20% das vendas de autopeças.

“O amadurecimento do consumidor online é um dos fatores que tem acelerado o setor de autopeças na internet”, diz Rafael Campion, cientista de dados do Google.

“À medida em que isso acontece, ele passa a comprar categorias mais complexas. Se antes ele só adquiria celular e TV, hoje ele também consome moda, beleza, móveis e autopeças.”

Autopeças: mercado imune à crise

Com a queda nas vendas de automóveis, o setor de reposição tem se destacado. Segundo o Sindipeças, atualmente a frota brasileira tem, em média, seis anos, exigindo mais reparações.

A estimativa é que, este ano, o setor cresça 10%, chegando a marca de R$ 69,4 bilhões. Em 2016, o setor fechou o ano com R$ 63,1 bilhões.

E não é apenas o mercado de reposição que tem acelerado. Os acessórios automotivos também têm vez na web.

De acordo com o último relatório da consultoria brasileira Ebit (Webshoppers 36ª Edição), os acessórios tiveram aumento de 45% nos pedidos em relação ao primeiro semestre de 2016; enquanto o faturamento aumentou 22%.

Para Campion, esse tem sido um bom momento para as pequenas e médias empresas, que têm aproveitado para se digitalizarem. “O varejo físico sem dúvida continuará importante, principalmente para categorias como alimentos e mesmo a de autopeças. Porém, o online será cada vez mais crucial para a decisão de compra”, afirma.

Um estudo feito pela consultoria americana Forrester Research, por encomenda do Google, indica que 10% das vendas do varejo virão do e-commerce em 2021, mas outros 30% serão influenciadas pelo online, apesar de acontecerem no offline.

Para algumas categorias, como celulares, essa influência deve chegar a 75%. “Mesmo o varejista que é 100% offline tem que estar de olho nas ferramentas online para promover sua loja e fazer parte da jornada de compra do consumidor”, diz.

Pesquisa anterior

Em janeiro, o Google já havia publicado um relatório sobre o setor – Autopeças: oportunidades no segmento em meio à crise no mercado brasileiro.

Para a elaboração da pesquisa, o Google teve o apoio de estudos de instituições como Sindipeças, IBGE, Target Group Index e Fenabrave.

Entre as principais conclusões, destacam-se a maior representatividade do setor de autopeças no varejo, com crescimento de 5,4%, entre janeiro e outubro de 2016, contra retração de 6,7% no varejo total; e maior participação dos usuários na internet: 82% dos compradores de peças e acessórios automotivos utilizam a web, sendo 39% deles usuários frequentes.

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Já sobre os itens mais acessados, as subcategorias pneus e peças vêm crescendo desde 2014. O YouTube também tem sido utilizado como fonte de pesquisa por esses usuários.

Desde 2015, o volume de buscas dobrou na plataforma de vídeos. Em média, 20 milhões de pesquisas por conteúdos de autopeças são feitas mensalmente no YouTube.

“Quem ainda não estiver online está deixando uma grande oportunidade de lado. A maior parte das vendas pode até continuar sendo offline, mas estar na internet será cada vez mais importante para o consumidor encontrar seus produtos, seja na própria busca, no Google Maps ou no YouTube”, afirma Campion.

Leia a entrevista com Rafael Campion:

Canal da Peça: Por que, em sua opinião, a categoria de autopeças na internet cresce mais do que o varejo físico?

Rafael Campion: Esse crescimento maior na internet acontece de forma global no varejo. Para autopeças, um ponto importante é que hoje há muito mais sortimento desta categoria disponível online, o que quer dizer que há mais lojas vendendo. E grandes marcas que o consumidor conhece bem e confia, como Americanas, Walmart e Magazine Luiza, passaram a comercializar autopeças também por meio de seus marketplaces, o que faz com que o consumidor se sinta mais confortável para comprar esses produtos.

Canal da Peça: Esse mercado continuará crescendo?

Rafael Campion: Sim, pois é uma tendência que não é de curto prazo, mas do comportamento do consumidor que agora compra mais no online, onde é muito mais fácil comparar produtos e encontrar o melhor preço. Além do amadurecimento do consumidor que passa a comprar mais categorias no online.

Canal da Peça: As compras online, de uma forma geral, têm sido destaque no varejo brasileiro. Por que os brasileiros têm consumido tanto pela internet?

Rafael Campion: A internet facilita a comparação de produtos, a pesquisa de preços, ajuda a ter certeza de que o que o consumidor está pagando é o melhor. Essa tendência é global, mas é ainda mais forte no Brasil, visto que o brasileiro está entre os povos que mais passa tempo online. Além disso, a própria crise faz com que haja uma migração de compras para a internet, onde é mais fácil de comparar e pesquisar preços.

Canal da Peça: Acredita que, em breve, as compras pelos smartphones irão ultrapassar as que são feita pelo computador?

Rafael Campion: As buscas no Google para a maioria das categorias já acontecem mais no smartphone do que no computador. Os próprios e-commerces já dizem que a maior parte das suas visitas já são feitas pelo smartphone. Essa virada da busca para a venda ainda levará um pouco mais para acontecer, porque os próprios sites ainda têm que melhorar suas interfaces e o consumidor está mais acostumado a comprar pelo computador. Mas já vemos sites com mais de 40% das vendas que vêm de smartphone.

Canal da Peça: Os marketplaces têm um grande destaque no cenário virtual. Acredita que a grande tendência do futuro serão aqueles segmentados ou os generalistas, como a Amazon?

Rafael Campion: Os dois tipos de e-commerce continuarão sendo importantes. Os marketplaces vêm crescendo e ganhando força, mas os segmentados também têm capacidade de serem grandes. Temos vários exemplos disso em moda, esportes e decoração no Brasil. Além disso, ter o próprio site continuará sendo importante para construção de marca.

Canal da Peça: As redes sociais têm forte influência no e-commerce. De que forma elas vão continuar impactando o varejo online?

Rafael Campion: Elas vão continuar sendo ferramentas importantes para criar relacionamento com cliente e de construção de marca.

Canal da Peça: Os produtos técnicos terão espaço na internet?

Rafael Campion: Acredito que todas as formas de vendas têm potencial de expandir na internet, incluindo o B2B. Mas as empresas têm que ter a iniciativa de criar as plataformas que tornam isso possível. Já há alguns exemplos, como o B2W Empresas, e sem dúvida aparecerão outros no futuro.

Canal da Peça: E como as oficinas mecânicas vão utilizar a rede?

Rafael Campion: A internet pode ajudar a encontrar preços melhores e produtos que você não encontra no seu fornecedor atual. Já para vender serviços, há muitas mecânicas que criam conteúdo online no YouTube para atrair clientes, como agendamento online e outras ferramentas para geração de leads.

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