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De pai para filho

Conheça histórias de profissionais do setor automotivo que, inspirados pelos patriarcas da família, seguiram a mesma profissão. Além da paixão pelas peças, eles compartilham a vocação para os negócios

Dar continuidade ao comércio da família e seguir os mesmos passos dos pais já se tornaram caminhos naturais no setor automotivo. Não raro, ouvimos histórias de mecânicos que cresceram em oficinas e, hoje, não se imaginam em outro ofício.

Assim como é comum lojas de autopeças passarem de geração para geração. O varejista Hamilton Tadashi Sueyasu, da Rhaltec, seguiu a mesma trilha de sua família nos negócios, que começou com seu avó entre as décadas de 1940 e 1950.

“Em 1963, meu pai (o sr. Tadashi Sueyasu) recebeu como herança um alto valor em peças automotivas. Entre repassá-las para outro lojista ou abrir seu próprio negócio, ele ficou com a segunda opção”, relembra Hamilton. Exatos 30 anos depois, era a vez dele estrear no comércio. “Por conta da experiência familiar e pela vivência com peças, decidi investir também no mesmo ramo”.

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Hoje, aos 77 anos, o sr. Tadashi atua como conselheiro do filho nos negócios. “Claro que vivemos altos e baixos, como em todas as áreas do comércio, mas gostamos muito do que fazemos. Isso supera qualquer dificuldade. O segredo é entender e, acima de tudo, gostar do que faz”, afirma Hamilton, que sonha em passar a loja para os filhos. “Será muito gratificante para mim se o negócio se estender para outras gerações”.

Mello Autopeças: três décadas no varejo

Há 30 anos no mesmo endereço, a Mello Autopeças nasceu por acaso. O fundador, o sr. Marcos Mello, formado em engenharia civil e ainda no comando da loja, percebeu que o setor de autopeças poderia ser lucrativo.

“Na época, eu era funcionário de uma empresa de engenharia, mas queria ter meu próprio negócio. Conheci o sogro do meu irmão, um empresário muito bem-sucedido do ramo de peças, e me entusiasmei”, relembra. “A loja dele faliu, mas a minha continua firme”, diz, aos risos.

Douglas ao lado do pai, o sr. Marcos Mello. Foto: Willian Andrade


Firme e com o apoio do filho Douglas, que tem sido peça fundamental para trazer mais novidades ao negócio familiar. Há pouco mais de quatro anos, a Mello se associou ao Canal da Peça e hoje comercializa para outros mercados. “O varejo precisa acompanhar as tendências e uma delas é o comércio eletrônico”, diz Douglas.

Veja como é fácil ter sua própria loja virtual

A inovação é necessária e os sucessores sabem bem disso. Uma pesquisa sobre empresas familiares da consultoria britânica PwC constatou que para 81% dos respondentes brasileiros, inovar é uma meta considerada importante ou muito importante; enquanto para 72% deles, a necessidade da inovação contínua representa o terceiro maior desafio para os próximos cinco anos.

Felizmente, Douglas tem o aval do pai para continuar trazendo novidades. “Um dos maiores diferenciais de uma loja virtual é que ela está aberta 24 horas por dia, 7 dias por semana. Isso é fantástico”, comenta Mello. “Em locais mais afastados, muitas vezes o tempo que um carro fica parado porque o mecânico não tem a peça pode ultrapassar 30 dias. É uma outra realidade. Com a internet, esse tempo é reduzido muito”, acrescenta Douglas, ao explicar o motivo da entrada no comércio eletrônico.

Amor à mecânica

Do lado da reparação, há também pais que inspiraram os filhos a seguirem a mesma profissão. O patriarca da família paulistana Bacci, seu Florentino, de 75 anos, atua como mecânico há mais de 50 anos. Ao lado do filho Luis Carlos Bacci, ele mantém uma das oficinas mais tradicionais do Jabaquara, em São Paulo: a Mecânica Bacci (antiga Boa Amizade), no bairro há três décadas.

Luis Carlos com o pai, o sr. Florentino. Foto: Willian Andrade

Luis Carlos com o pai, o sr. Florentino. Foto: Willian Andrade


Luis Carlos cresceu vendo seu pai consertar carros. Ainda na adolescência optou pela mesma profissão. “Não me imagino fazendo outra coisa”, afirma ele, que conta com uma ajuda especial quando precisa. “Atendemos por mês, em média, cerca de 120 carros. Quando necessário, meu pai ainda coloca a mão na massa”, diz, orgulhoso.

A história é semelhante a do mecânico Roberto Ghelardini Montibeller, da oficina High Tech, que também se espelhou em seu pai, o sr. Antônio. Dono do Centro Automotivo Vera Lúcia, aos 80 anos ainda está na ativa.

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“Sai do quartel em 1986, pois não era o que eu queria. Meu pai me questionou o que eu iria fazer da vida. Como sempre o acompanhei na oficina, quis seguir os mesmos passos”, relembra Roberto. Mas não foi assim tão fácil. “No início, meus pais não apoiavam muito, pois não é uma profissão tão reconhecida, mas viram que fiz a coisa certa. Em 2006, abri minha própria oficina”.

Pai de um menino de onze anos, Montibeller diz que o apoiaria caso quisesse dar continuidade aos negócios da família. “Com certeza, daria a maior força, mas o alertaria que hoje em dia não é fácil ser mecânico”, diz.

Família unida também na indústria

No final da década de 1950, quando montava seu primeiro negócio ao lado da esposa, a sra. Kelly, o patriarca da família Salfatis, o sr. David Josif, conhecido como “Sr. João”, nem imaginava que o tino para os negócios iria passar de geração para geração. Ainda mais, que seria no setor de peças, onde tudo começou.

O pequeno negócio familiar, batizado de autopeças Dani, nome em homenagem à primogênita Daniela, fechou na década de 1990 para dar lugar a um projeto muito maior: a indústria Dani Condutores Elétricos, a DNI.

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Seus filhos Jeff, Daniela, Roberto e Eduardo, ao lado dos futuros sucessores, comandam a empresa, que hoje é líder na fabricação de relés. O segredo para se manter firme e forte no segmento está na união.

Jeff e David Salfatis, da DNI. Foto: Adriano Stofaleti


“Nos esforçamos muito para conseguir nos estabelecer no mercado. O empenho é contínuo: hoje, toda a família trabalha na empresa, que já está na terceira geração”, afirma Jeff Salfatis, diretor administrativo da DNI.

O filho David, que atua no departamento comercial, o ajuda com os negócios da família. “Meu pai é minha inspiração na vida e nos negócios. Sou muito grato por ter a oportunidade de trabalhar com ele, pois aprendo diariamente. É uma honra seguir seus passos”, declara David. E que o setor automotivo siga inspirando as próximas gerações.

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